sexta-feira, 23 de junho de 2017

Preparando a Plenária Estadual de julho/2017


Companheiras,

Chegamos na metade de 2017 e não precisamos descrever novamente as inúmeras atividades em que estivemos participando, lutando contra os retrocessos e por democracia; contra a truculência policial  e pelo fim da militarização da Polícia; estamos nas ruas, nas ocupações, nas escolas e nas comunidades lutando todos os dias por liberdade e autonomia.
Precisamos organizar nossas marchantes para o segundo semestre, que já mostrou que não vai ser mais fácil.  Temos várias mulheres que querem conhecer a Marcha e mesmo entre as que já estão há algum tempo, precisamos um momento de formação para falar da nossa história, nossas lutas e nossos desafios.
Contaremos com a presença das marchantes convidadas de Santa Catarina, Paraná e Maria Fernanda Marcelino da MMM SP.
Para que possamos transformar nossa Plenária e Formação em momentos de troca, gostaríamos que os núcleos organizassem localmente uma reunião ou roda de conversa.

Importante:
- Preencha a ficha de inscrição - clicar AQUI
- Vamos fazer a formação e plenária em apenas 1 dia (sábado 15 de julho);
- Orientamos para que os núcleos reúnam e possam indicar 2 companheiras para participar da plenária.
 - A nossa plenária será aberta a convidadas de outras organizações/movimentos e coletivos que gostariam de conhecer a MMM e estreitar nossas alianças.
- Ofereceremos os lanches e cafés durante a atividade de sábado (manhã e tarde), e teremos um almoço no local, para todas.
- Não teremos como contribuir com transporte para a vinda das companheiras, por isto é importante a organização local para a vinda de pelo menos 1 marchante.
PLENARIA ESTADUAL DA MARCHA MUNDIAL DAS MULHERES RS

Data: 15 de julho de 2017 (sábado)
Local: Sindipetrosul – Endereço: R. Gen. Lima e Silva, 818 - Centro, Porto Alegre - RS

MANHÃ - 8:30 – 12:30
1.    Apresentação
2.    Dinâmica inicial - Autocuidado, espaço de feminismo, solidariedade e resistência.
3.    Oficina - O que é a Marcha Mundial das Mulheres? Organização da MMM no mundo, quem somos - nos diversos países; internacionalismo e o feminismo da Marcha - estratégia politica e a sujeita coletiva e politica que é a marcha.
Convidada: Maria Fernanda

TARDE -  14h – 18:30
1.    Oficina - Por onde andamos, onde vamos? Depois de ampliarmos nosso olhar sobre a atuação da Marcha pelo mundo, avaliaremos a conjuntura política e econômica e seus enlaces com questões raciais e de gênero.
Debates
2.    Agendas de lutas
3.    Fechamento com propostas para a próxima plenária, cujo objetivo é avançar no debate organizativo.
Encerramento

Saudações feministas

Marcha Mundial das Mulheres RS
Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

24h de solidariedade pela paz e contra a guerra! 03/06/2017

Roda de conversa: 24h de Ação em Solidariedade Feminista


Companheiras,

No dia 3 de junho, sábado, a Marcha Mundial das Mulheres convoca suas companheiras de todo o mundo para 24h de ação em solidariedade feminista pela paz e contra a guerra. No Brasil, estamos em um contexto de golpismo, violência, reformas neoliberais e ataques conservadores às e os trabalhadores, às mulheres, às populações negras, indígenas, quilombolas e LGBT. No resto do mundo, os governos de direita, a xenofobia, o racismo, as guerras declaradas e não declaradas também formam uma realidade que precisa ser transformada urgentemente. Diante disso, um dia de solidariedade feminista colabora para organizarmos nossa ação em nossas regiões e no mundo inteiro.

No Brasil, estamos em marcha pelas eleições diretas já, contra o governo golpista de Temer, suas reformas e o autoritarismo da repressão e da criminalização dos movimentos sociais. Participamos de datas nacionais de mobilização, como a Greve Geral do dia 28 de abril, o 1º de maio e as manifestações recentes em Brasília, no dia 26 de maio. Neste dia 3 de junho, organizaremos ações pelo Brasil contra a guerra alimentada pelo capitalismo e suas grandes empresas corporativas. Até agora, temos agenda em Natal, capital do Rio Grande do Norte, onde as militantes farão uma atividade e colagem de lambe-lambe; e faremos um debate online, também às 12h, com militantes da MMM de vários estados. Neste debate, pontuaremos nossa crítica ao militarismo e às suas expressões no Brasil, tanto no genocídio e na violência de Estado presente nas regiões pobres das cidades, quanto na repressão às mobilizações populares. O debate estará disponível em tempo real na nossa plataforma do YouTube, que será divulgada em nossas redes sociais.

A declaração internacional da MMM está disponível abaixo e em anexo.

Saudações feministas,
Marcha Mundial das Mulheres

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PELA PAZ E CONTRA A GUERRA:
Chamado para as 24 horas de ação de solidariedade feminista em todo o mundo

Neste sábado, 3 de junho de 2017, das 12h às 13h, una-se a nós em uma ação solidária pela paz em todo o mundo. Você pode se manifestar, escrever uma mensagem ou simplesmente tirar uma foto, gravar um vídeo e enviá-lo para nosso Facebook internacional (www.facebook.com/marchemondialedesfemmes) e envie-o para nosso e-mail: info@marchemondiale.org

Ser mulher é viver constantemente em guerra. Repetimos essa frase durante nossa 4ª Ação Internacional em 2015, ao falar sobre o que vivem as mulheres em seus lares, comunidades e territórios. Durante nosso 10º Encontro Internacional, em Maputo, em outubro de 2016, houve consenso sobre o fato de que a violência e o terrorismo estão se espalhando por todo o mundo a passos largos. A ofensiva conservadora e a militarização da vida cotidiana das mulheres passaram a ser uma tendência por todos os lados.

De norte a sul, de leste a oeste, as mulheres sofrem os efeitos e as consequências da ocupação territorial por parte dos regimes imperialistas coloniais, que subjugam os povos em condições sub-humanas, através de assassinatos e encarceramentos traumáticos, enquanto o resto do mundo contempla em silêncio. Isso é uma guerra.

Estamos sendo testemunhas da ascensão de governos de extrema direita em muitos países, que impõem um retrocesso nos direitos que foram conquistados graças às lutas populares pela justiça, liberdade e igualdade. Incitam a intolerância, o ódio e a guerra contra minorias, migrantes, negras, indígenas, incitam também a criminalização dos movimentos sociais e a repressão às mobilizações. Além disso, esses governos estão forçando a aplicação de agendas neoliberais muito mais radicais, que defendem os interesses de corporações transnacionais que apoiaram suas campanhas eleitorais.

Enfrentamos novas formas de colonialismo, em que esses governos, em conjunto com corporações transnacionais (TNC), invadem nações na África, Ásia e América Latina, realizando investimentos diretos e cooperação para o desenvolvimento. Essas corporações financiam eleições e manipulam governos nacionais, através de propina e outros “mecanismos de ajuda”, e sob o guarda-chuva dos Tratados de Livre Comércio e outras políticas neoliberais. Usurpam terras de camponeses, comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas; desalojam famílias e comunidades inteiras, e as afastam de sua forma de ganhar a vida e dos recursos naturais, que são essenciais para a vida. Nesses contextos, as comunidades são obrigadas a suportar a extrema pobreza, a violência, o genocídio e o medo com relação ao seu presente e futuro. As mulheres pagam caro enquanto lutam para assegurar meios de sobrevivência para suas famílias, são exploradas em trabalhos não remunerados e muitas vezes acabam na prostituição ou em casamentos precoces, forçados, com um futuro embargado.

A militarização de nossas vidas passou a ser comum em todo o mundo. As superpotências produzem o armamento e o vendem a países que interessam economicamente. As nações africanas são seus mercados preferidos, principalmente os países da África Ocidental e outros, como República Centro-africana, a República Democrática do Congo e o Moçambique. Essas corporações fomentam a dívida ao vender armas aos governos nacionais, a milícias e grupos paramilitares, que criam guerras civis e ataques terroristas em todo o território.

Enquanto os povos lutam entre si, as TNC intensificam suas operações extrativistas e recuperam o pouco dinheiro que pagam em impostos na forma de pagamentos de dívida. Nessa conjuntura, os governos nacionais carecem de capacidade para oferecer serviços básicos, como saúde, educação, água e saneamento, moradia, transporte público; não há espaço para a construção de instituições democráticas. A violação dos direitos das mulheres e crimes gerais aumentam quando os sistemas judiciários só defendem e protegem os interesses das elites políticas e a impunidade das TNC. Isso é uma forma de guerra.
A democracia foi destruída e não é possível realizar eleições justas, o que mantém governos ditatoriais no poder durante muitos anos. Os direitos constitucionais e as leis são manipuladas e mudam conforme os interesses de algumas elites. Fomos testemunhas de prisões e assassinatos de militantes e do fechamento de suas organizações na Turquia, Burundi e em muitas outras partes do mundo. As instituições regionais e mundiais não conseguiram mediar os conflitos e nem fomentar a transparência e responsabilidade com relação à gestão pública. No lugar disso, seguem legitimando essas ditaduras.

Milhares de pessoas são forçadas a migrar. Vivemos em um período histórico de mobilidade das pessoas em busca de um lugar em que possam salvar a sua vida e a de suas famílias. A África é o continente que recebe o maior número de migrantes: crianças, mulheres e homens migram de zonas rurais a urbanas, e de um país a outro.
Milhares de migrantes da África e Oriente Médio morrem no Mar Mediterrâneo tentando chegar à Europa para escapar de toda brutalidade causada pela guerra, a fome e as perseguições provocadas pelas elites capitalistas. As migrantes vivem em condições muito vulneráveis e enfrentam todo tipo de discriminação: sua cidadania não é reconhecida, não têm acesso a empregos, não podem viver com suas famílias, estão expostas à fome, a doenças e a muitas outras coisas. As pessoas que migram são seres humanos com conhecimentos, cultura e valores, e têm um papel a desempenhar na construção de um mundo melhor para todas.

Nós, militantes da Marcha Mundial das Mulheres, chamamos a todas as militantes, companheiras e aliadas de todo o mundo para que se unam a nós em uma ação solidária pela paz, no sábado, 3 de junho, das 12h às 13h. Compartilhe suas mensagens e demandas pela paz, contra a guerra, pelos direitos das migrantes, pelas mulheres que vivem em territórios ocupados, e pelos povos afetados pelas TNC.

Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres!


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Roda de Conversa: “Mulheres da Agroecologia: com as mãos na resistência”.










Durante a Semana do Alimento Orgânico - "Produto Orgânico, melhor para a vida" - acontecerá uma Roda de Conversa: “Mulheres da Agroecologia: com as mãos na resistência”. Uma roda de conversa entre mulheres que produzem e consomem produtos agroecológicos. Após a roda de conversa haverá uma partilha de alimentos orgânicos.

Participantes confirmadas:
Andréa Schaeffer - Coletivo de Economia Solidária Somos Soma;
Camila Dellanhese Inácio - CSA-POA;
Isabel Cristina M. R. Dalenogare – Grupo Mulheres da Terra;
Ana Maria - UVAIA/UFRGS
Mediadora: Cíntia Barenho / MMM-RS

Realização: Grupo Mulheres da Terra do Assentamento Filhos de Sepé-Viamão/RS; Cooperativa Central dos Assentamentos (Coceargs); Secretaria do Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR-RS); EMATER/RS-ASCAR; Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria do Agronegócio, Pecuária e Irrigação do RS (DDPA/SEAPI); Marcha Mundial das Mulheres (MMM); Uvaia - UFRGS; Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA Porto Alegre)

Quando: 30/5/2017
Horário: 15:30
Local: Contraponto - Faculdade de Educação- UFRGS
Av. Paulo Gama, 110 – Porto Alegre/RS

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Ação de base - Panfletagem no Humaitá/POA





Nesse sábado, a partir das 13h30min, a Frente Brasil Popular estará realizando uma atividade de panfletagem e diálogo com a população no bairro Humaitá.
Essa é iniciativa para que possamos enraizar a luta  da FBP nos bairros e periferias de Porto Alegre, articuladas com as lideranças comunitárias da região.

Essa atividade em especial foi proposta e organizada pela MMM junto com o movimento de mulheres da Frente e pretende fazer o recorte das mulheres, apresentando como as reformas trabalhista e da previdência afetam principalmente a nós!

Convocamos todas e todos a estarem presentes fortalecendo a luta contra o golpe e a retirada de direitos!

Quando: 20/05 (sábado)
Que horas: a partir das 13h30min
Ponto de encontro: EMEF Antônio Giudice, rua Caio Brandão de Melo n 1, Humaitá
Contatos: Maria do Carmo (993619985) e Alicia (993589061)



quarta-feira, 17 de maio de 2017

Governo Temer: um ano de retrocesso para as mulheres

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Por Maria Júlia Montero*
Vivemos um momento de crise econômica. Diferente de tempos prósperos, hoje a burguesia mostra seu lado mais reacionário, propondo medidas para manter seu lucro: ataques aos direitos da classe trabalhadora, avanço sobre os territórios, aprofundamento do racismo (aumento do genocídio dos povos negro e indígena) e do patriarcado (mercantilização das mulheres, controle da sua função reprodutiva, maior exploração do trabalho feminino).
É nessa perspectiva que avaliamos o governo Temer: um governo neoliberal, alinhado às elites econômicas internacionais, que busca colocar em prática as políticas necessárias para que a burguesia mantenha seu lucro mesmo com a crise. Isso também atinge as mulheres.
Na votação do 18 de abril de 2016, já vimos a quem serviria o golpe: ao defenderem o impeachment, os deputados votavam “em nome de deus e da família”. Essa defesa passou a fazer parte da agenda do governo: Marcela Temer foi colocada como a “primeira dama ideal”, “bela, recatada, e do lar”. No 8 de março, Temer afirmou que as mulheres percebem melhor as alterações na economia porque vêem a diferença de preços no mercado, e que a responsabilidade do trabalho doméstico e cuidado das crianças é nossa. Recentemente, soltou a pérola de que, para não quebrar, “os governos precisam passar a ter marido”. Isso demonstra o projeto político golpista para as mulheres: somos feitas para não ter autonomia, e obedecer nossos maridos. O que ocorre agora vai na contramão dos direitos das mulheres.
Além dos comentários absurdos, o governo, já desde a composição do ministério, sinalizou qual o espaço que as mulheres teriam: nenhum. Um ministério sem mulheres é o retrato do governo golpista, pois é coerente com seu projeto político – e não esperávamos nada diferente de um golpe patriarcal, a serviço do capital e do imperialismo. Vale dizer, porém, que ministras de um governo golpista seriam igualmente golpistas, e não diminuiriam o caráter patriarcal do golpe. De fato: após as críticas, Temer chamou uma mulher para ocupar a “secretaria de mulheres”: Fátima Palaes, uma evangélica que faz cultos religiosos em seu gabinete e é contra o aborto.
Mas, porque dar tanta importância a esse discurso? Como disse no início, vivemos uma crise econômica. Isso significa corte de gastos públicos, incluindo os serviços de socialização dos cuidados – como hospitais e creches (lembram-se da “PEC da Morte”, que congela os investimentos em áreas sociais por 20 anos?). E é aí que entra o ideário da mulher “do lar”, que acaba por justificar a não divisão do trabalho doméstico e de cuidados com o Estado e com os homens. O trabalho gratuito das mulheres “substitui” os serviços públicos, pois elas cuidarão de crianças, doentes e idosos.
A idéia fixa de que devemos ficar em casa também serve para justificar o trabalho precário e baixos salários: afinal, se o lugar da mulher é em casa, e ela tem um marido que a sustente, porquê precisa de um salário igual ao do homem?
Falando em mercado de trabalho, não podemos esquecer das reformas da previdência e trabalhista. O governo Temer quer igualar a idade de aposentadoria entre homens e mulheres, o que é muito injusto. Somando o trabalho doméstico e o trabalho fora, trabalhamos cerca de 55h, e os homens, 50h. Dedicamos 21h por semana ao trabalho doméstico; os homens, 10h. Ou seja: trabalhamos mais. Ainda, somos maioria no emprego precário, informal, e ganhamos menos. Nada mais justo que nos aposentemos antes. Ao fazer com que tenhamos que trabalhar até os 65 anos, o governo consegue mais anos de mão de obra barata para as empresas.
A reforma trabalhista prevê que grávidas poderão trabalhar em ambientes insalubres, aumento da jornada de trabalho (lembra que trabalhamos mais?), parcelamento de férias, diminuição do horário do almoço, e aumenta o trabalho em regime de tempo parcial e temporário, em que as mulheres são maioria. Isso significa que iremos trabalhar até os 65 anos em condições extremamente ruins!
Para coroar, há a violência contra a mulher, que é uma forma de controle, pois só a ideologia patriarcal não é suficiente para nos manter subordinadas – por isso a necessidade da violência, realizada por homens e legitimada pelo Estado através da sua omissão. Essa área também sofreu retrocessos: em maio, Temer cortou 61% (de R$ 42,9 milhões para R$ 16,7 milhões) das verbas destinadas ao atendimento de mulheres vítimas de violência; e reduziu em 54% (de R$ 11,5 milhões para R$ 5,3 milhões) o orçamento para políticas de incentivo à autonomia das mulheres.
Fica clara a intenção do governo golpista de nos manter em situação subordinada, nos transformando em um permanente exército de reserva de mão de obra barata e precarizada. Se todos esses retrocessos ocorreram em um ano, há de se imaginar o que nos aguarda caso essas reformas sejam aprovadas.  O que está em jogo é nosso futuro, e por isso é preciso que nos organizemos para barrar o governo Temer e seus retrocessos.
*Maria Júlia é militante da Marcha Mundial das Mulheres de São Paulo.
**Texto originalmente escrito para a revista “O Professor”, do Sinpro-ABC.


SEGUIREMOS EM MARCHA ATÉ QUE TODAS SEJAMOS LIVRES!
RESISTIR, INSISTIR E AVANÇAR